|
Automação modifica rapidamente as funções do homem na produção e seu comportamento
A ciência administrativa vem sofrendo enormes transformações ao longo do tempo. Desde o seu aparecimento formal com os estudos de Taylor e Fayol, até os dias de hoje, um bom número de contribuições surgiram sempre dando especial ênfase a pontos específicos e relevantes.
Processos de evolução sempre ocorrem na humanidade. Porém, a partir da Segunda Guerra Mundial os progressos culturais e as inovações tecnológicas começaram a ocorrer num ritmo incrivelmente acelerado provocando impactos cada vez mais significativos nos meios organizacionais.
O estudo da ciência administrativa leva-nos a crer que ela, ou simplesmente a administração, não seja uma ciência estática, aliás, ao contrário, até muito dinâmica, assim como é dinâmico e perceptível o próprio desenvolvimento universal.
A administração também não é uma ciência exata – alguns até preferem chamá-la de arte. Independente do enfoque dado, seu objeto de estudo são as organizações, visando ao atendimento dos objetivos por meio da perfeita combinação de fatores como: recursos materiais, financeiros, políticos, tecnológicos, ambientais e, principalmente, humanos.
O administrador deve saber coordenar eficazmente estes recursos, de modo que o resultado final de seu trabalho seja fruto da multiplicação de todo um esforço desenvolvido e realizado por ele e por sua equipe.
As organizações estão em constantes mutações.
O mundo está em constante mutação.
Os valores sociais estão em mutação.
O homem, por sua vez, também está criando, percebendo novas relações, inovando, integrando e evoluindo a cada instante.
Porém, as pessoas estão cada vez mais carentes de habilidades intelectuais para o desempenho de suas atribuições. As pessoas não estão somente aprendendo a operar máquinas, mas sim, aprendendo a operar máquinas que operam máquinas. As atividades de manufatura simples estão cedendo lugar às funções de planejamento, controle, inspeção, administração do tempo, etc, de tal forma que todo o empenho humano seja orientado para resultados cada vez mais significativos e eficazes.
As pessoas estão sendo cada vez mais impulsionadas a gerir suas funções.
A tecnologia, o uso da máquina, os computadores, os robôs, os novos sistemas de informação, estão provocando mudanças e adaptações na sociedade.
Os sistemas de informação são os responsáveis pela determinação dos métodos e procedimentos estabelecidos para: fornecer informações sobre o presente e o passado, fazer projeções sobre as operações da empresa, comparar os resultados obtidos com aqueles que foram planejados, criar jogos que simulam realidades empresariais; enfim, é todo o suporte necessário para que os administradores possam desenvolver suas atividades e propiciar a condição necessária para a melhor tomada de decisão.
Devemos estar atentos a estes fatores.
Em breve não haverá mais “espaço” para as organizações desumanas, fechadas e que hoje não se atualizam.
As empresas vivem hoje sob a imposição do imperativo tecnológico, que determina a estrutura e o comportamento da empresa em função de sua tecnologia.
O momento, mais do que nunca, é de inovação e espírito empreendedor.
Para o futuro, as previsões são de uma administração cada vez mais participativa e integrada, além de profundas mudanças estruturais hoje ainda incertas, porém bastante questionadas.
Um dos agentes responsáveis pelo suporte e acompanhamento destas mudanças será o treinamento na medida em que terá como principais desafios: a adoção de uma estratégia competitiva, moderna, eficaz e compatível com as necessidades, cada vez maiores, da própria sobrevivência organizacional; além, é claro, da formação, adequação e o correspondente desenvolvimento dos novos recursos humanos que ingressarem nas empresas.
Observa-se aqui uma significativa mudança comportamental.
Por outro lado, é bem provável que o administrador do futuro seja considerado cada vez mais um expert, em função da necessidade do seu envolvimento nos vários segmentos administrativos em que terá de atuar, para atender os objetivos estipulados.
Simultaneamente a automação está atingindo as funções do Gerente Operacional especializado, cuja atividade está ligada a tarefas puramente estruturadas, as quais possuam grande probabilidade de racionalização.
Como conseqüência, muitas funções das gerencias operacionais passarão a ser facilitadas, outras terão um menor grau de importância e/ou serão eliminadas. Esta mudança liberará o gerente operacional para uma maior participação com os demais níveis da empresa.
O administrador terá como principais responsabilidades: a estruturação das informações, o gerenciamento dos processos decisórios, a adoção de políticas maduras de negociação e suas relações humanas no trabalho.
Evidentemente que fica a pergunta: se a classe operária desaparecer, quem irá produzir? A automação industrial?
É chegada a hora de possuirmos uma visão mais ampla de tudo o que nos cerca.
Mesmo porque, a informática estará, com certeza, ainda mais presente na vida pessoal e empresarial e o grande protagonista de todo esse processo será o próprio homem, pois será o responsável pelo forjamento e manutenção de um mundo mais humano e justo.
Roberto de Oliveira Loureiro
Professor de Graduação e Pós-Graduação da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, Universidade Mackenzie, Faculdades Associadas de São Paulo – FASP e Universidade São Judas Tadeu
E-mail para contato: robertloureiro@uol.com.br
|